COMO O CAMPO MAGNÉTICO DA TERRA ESTÁ MUDANDO

Texto traduzido da Agência Espacial Europeia – SWARM

Com mais de dois anos de medições pelo trio de satélites da ESA (Agência Espacial Europeia) chamado Swarm, mudanças na força do campo magnético da Terra estão sendo mapeadas em detalhe.

Lançado no final de 2013, o projeto Swarm está medindo e decifrando os diferentes sinais magnéticos emitidos pelo núcleo, manto, crosta, oceanos, ionosfera e magnetosfera da Terra – uma tarefa que irá levar vários anos para ser concluída.

Embora invisível, o campo magnético e correntes elétricas e em torno da Terra geram forças complexas que têm efeitos incalculáveis sobre nossas vidas. O campo pode ser pensado como uma enorme bolha, protegendo-nos da radiação cósmica e partículas atômicas eletricamente carregadas que bombardeiam a Terra através dos ventos solares. No entanto, ele está em permanente movimentação.

Apresentado no Simpósio Living Planet desta semana, os novos resultados deste conjunto de satélites Swarm mostram onde o nosso campo de proteção está enfraquecendo e fortalecendo, e mais importante, o quão rápido essas mudanças estão ocorrendo.


A animação acima mostra a força do campo magnético da Terra e como ela mudou entre 1999 e maio de 2016.
Azul mostra onde o campo é fraco e vermelho mostra as regiões onde é forte. Foram utilizados dados recentes dos satélites Swarm, CHAMP e Ørsted.

Isso mostra claramente que o campo tem enfraquecido cerca de 3,5% em latitudes elevadas sobre a América do Norte, embora tenha se fortalecido cerca de 2% sobre a Ásia. A região onde o campo está em seu ponto mais fraco – no Atlântico Sul – avançou firme para o oeste e enfraqueceu ainda mais, cerca de 2%. O que nos afeta a todos no Brasil.

Além disso, o pólo norte magnético está se deslocando para o leste, em direção à Ásia.

A segunda animação mostra a taxa de mudança no campo magnético da Terra entre 2000 e 2015. Regiões onde as mudanças no campo foram mais lentas são mostradas em azul, enquanto que em vermelho podemos observar onde as mudanças foram mais rápidas.

Swarm mostra a taxa de variação

Por exemplo, as mudanças foram mais brandas perto África do Sul, mas mudaram rapidamente na Ásia.

Acredita-se que o campo magnético é produzido em grande parte por um oceano de ferro líquido derretido, que compõe núcleo externo do nosso planeta, a 3000 km sob os nossos pés. Agindo como o condutor de corrente, similar ao dínamo de bicicleta, gera correntes elétricas e, portanto, o campo eletromagnético está em constante mudança. Pensa-se que as acelerações na força do campo estão relacionadas às mudanças na forma como os fluxos de ferro líquido oscilam no núcleo externo.

Chris Finlay, cientista sênior no Espaço DTU na Dinamarca, disse, “os dados do Swarm agora nos permitem mapear as mudanças detalhadas no campo magnético da Terra, e não apenas na superfície da Terra, mas também mais profundamente, próximo da origem no núcleo.”
“Inesperadamente, nós estamos encontrando rápidas mudanças localizadas no campo magnético que parecem ser resultado de acelerações de metal líquido que flui no interior do núcleo.”

Conjunto de satélites Swarm

Conjunto de satélites Swarm

Rune Floberghagen, gerente da missão Swarm da ESA, acrescentou: “Dois anos e meio após o lançamento da missão, é ótimo ver que o Swarm consegue mapear o campo magnético e suas variações com precisão fenomenal.
“A qualidade dos dados é realmente excelente, e isso abre o caminho para uma profusão de aplicações científicas, na medida em que os dados continuam a ser explorados.”

É claro que a missão inovadora da ESA está fornecendo novos insights sobre a mudança no nosso campo magnético. Outros resultados são esperados, que nos levarão a novas informações sobre muitos processos naturais, desde as que ocorrem no centro do planeta até as mudanças no clima do espaço causadas pela atividade solar.
Por sua vez, esta informação vai certamente proporcionar uma melhor compreensão de por que o campo magnético está se enfraquecendo em alguns lugares, e globalmente.

⇒ Entenda mais sobre Salto Quântico.

⇒ Video recomendado: Colapso Solar

Fonte: http://www.esa.int/Our_Activities/Observing_the_Earth/Swarm/Earth_s_magnetic_heartbeat