O SOL POSSUI CONSCIÊNCIA?

Rupert Sheldrake é biólogo e autor de mais de 85 artigos científicos e 13 livros. Estudou ciências naturais na Universidade de Cambridge, filosofia e história da ciência na Universidade de Harvard. Autor do livroThe Science Delusion, no Reino Unido, e Science Set Free, nos EUA, examina os dez dogmas da ciência moderna e mostra como eles podem ser transformados em questões que abrem novas perspectivas científicas.

Nesta palestra recente, Dr. Sheldrake aborda uma questão especulativa e nos faz pensar sobre os conceitos dualísticos e mecanicistas da educação moderna. Abrindo as mentes para uma visão muito mais ampla do Universo, como tem sido transmitida há décadas nos livros, palestras, cursos e vídeos de Rodrigo Romo.

Abaixo disponibilizamos a tradução* do vídeo para facilitar o entendimento.

 

“O título da minha palestra é: O Sol é consciente?

E isso, como vocês podem ver, está levando a uma heresia que é ainda mais herética no contexto do universo elétrico. Então eu não quero forçá-los demais, mas a maioria das pessoas nesta sala já está acostumada a pensamentos hereges e por isso, pensei em irmos um pouco mais longe.

Eu não posso afirmar que esta palestra é baseada em evidências concretas, como outros oradores fundamentam suas palestras. É especulativa. Poderíamos levar a hipóteses passíveis de teste, mas estamos olhando para uma visão ampla de como o mundo opera, com uma referência particular ao Sol e ao Universo em geral.

Todas as culturas tradicionais acreditavam que o Sol está vivo e que é consciente. Ele é um deus ou uma deusa. Para os gregos, é Apolo. Para os hindus Surya, para os japoneses é uma deusa. E na mitologia do norte da Europa, uma deusa também. Então, o gênero do sol varia, assim como as mitologias variam. Mas todas essas culturas acreditam que o Sol está vivo e é consciente e inteligente, porque deusas e deuses são conscientes.

Isto, claro, é rejeitado pela ciência moderna como uma fantasia infantil e o fato de que as crianças pensam que o Sol é consciente também, simplesmente aumenta o peso da rejeição. Quando as crianças retratam o sol, eles o desenham com um rosto sorridente, insinuando que está vivo e dizem que é um ser vivo de alguma maneira.

(Eu acho que, aliás, entre parênteses, estas diferentes mitologias sobre o Sol têm algo a ver com a estrutura do idioma Inglês. O Inglês, como vocês sabem, é um híbrido entre Alemão e Francês, ou uma espécie de língua germânica e francês falado pelos conquistadores normandos, sendo a língua do tribunal na Inglaterra há vários séculos. E quando esses dois idiomas convergiram para produzir o Inglês houve um grande problema. É por isso que os ingleses são tão ruins em línguas que possuem gêneros. Em outras línguas as coisas são masculinas ou femininas e porque os sistemas mitológicos do sul e norte da Europa eram diferentes em alemão. A palavra em alemão para o sol é feminina “die Sonne” em francês é masculino “le Soleil” e é o oposto para a palavra lua que em alemão é masculina e em francês, Lua é feminino. Então imagine que você está na Inglaterra entre o século 12 ou 13 e você está tentando lidar com isso, o que você faz? Quero dizer, todos esses gêneros são opostos, especialmente para as palavras mais significativas. Eu acho que o que eles fizeram foi comprometer o inglês primitivo. Eles ampliaram o neutro em línguas germânicas para incluir praticamente tudo e neutralizaram tudo. Então nós temos isso, a neutralização da nossa linguagem torna tão difícil aprender outras línguas, porque a maioria dos ingleses não entendem porque palavras devem ter gêneros.)

Agora, a ideia que o sol não é consciente é aceita pela ciência desde o século XVII. Como todos sabem, no século 17 havia a revolução mecânica. Esta revolução foi uma quebra na maneira anterior de ver o mundo. Na Idade Média aqui na Europa a suposição geral era que o universo estava vivo, todo o universo era um ser vivo. Animais e plantas estavam verdadeiramente vivos e tinham almas. A teoria das plantas de Aristóteles era que cada um era moldado por sua alma. A alma dá forma ao corpo da planta. Animais possuem, além disso, almas que reforçam sua sensibilidade e movimento. É por isso que eles são chamados de animais. Da palavra latina “anima”, que significa alma. E os seres humanos têm almas, assim como as plantas, que moldam seus corpos e como os animais, que lhes dão instintos e coordenam sensações e movimentos. E além disso, a alma racional.

Depois da revolução do século XVII, toda a natureza tornou-se mecânica. Todo o universo se tornou uma máquina feita de matéria não-consciente. Descartes definiu matéria como não-consciente e separou a Consciência no reino do espírito, que não existia no espaço nem no tempo. Existem apenas três categorias de “coisas” conscientes no universo de Descartes: Deus, anjos e mentes humanas. O resto da natureza, todas as estrelas, todos os corpos celestes, tudo sobre a Terra, todos os animais e plantas, foi o resultado mecânico feito a partir de matéria inconsciente. E plantas e animais eram apenas máquinas. E o corpo humano era apenas uma máquina. Esta é a visão de mundo que ainda temos. Ainda é dominante dentro da ciência, no modelo mecanicista do universo.

Então, ninguém realmente discutiu se o Sol é consciente. Se acreditava que era não-consciente por definição, porque toda a matéria era considerada como não-consciente. Nunca houve qualquer discussão sobre isso. Desde então pessoas racionais e educadas acreditam que o Sol, todas as estrelas e todo o universo são não-conscientes. E a consciência ficou isolada dentro dos únicos recipientes físicos que conhecemos no universo que contém cérebros e especialmente, cérebros humanos. Assim, ficamos com essa ideia de que a consciência só existe nestas minúsculas áreas do universo: nos cérebros. E acima de tudo, em cérebros humanos. Alguns pensadores liberais ainda estenderiam para animais superiores, enquanto que outros ainda mais liberais estenderiam a vermes, também. Mas ainda assim, no cérebro.

Então, essa é a visão central da consciência cerebral com a qual todos nós crescemos acostumados e acreditamos, mas essa não era a visão que prevaleceu até a revolução mecânica. Os seres conscientes, incluindo, claro, Deus e anjos, mas também a inteligência das estrelas. Se acreditava que os céus estavam vivos e que os corpos celestes tinham em si mente ou inteligência. E ainda chamamos os planetas pelos nomes dos deuses e deusas do antigo Panteão. Eles eram seres vivos. Então, por que deveríamos começar a considerar a possibilidade de o Sol ser consciente? Uma razão é que existe uma crise no coração da ciência, como mostro no meu livro “a ilusão da ciência”, onde eu olho para os dez dogmas da ciência contemporânea e como podemos ultrapassá-los.

Uma das maiores crises é a existência da consciência humana, porque até o século 19 a maioria dos cientistas se contentava em viver em um universo dualista. A Ciência lidava com a matéria, que é não-consciente, enquanto que a religião lidava com a Consciência: Deus, anjos, mentes humanas, especialmente com a moralidade. Mas no século 19 o crescente número de pessoas que não gostava desse dualismo, achava que ter dois princípios era demais. Deveríamos ter apenas um. Uma escola de pensamento disse que tudo é mente ou consciência e isso é a escola idealista em filosofia, que foi muito influente no início do século XIX. Mas a escola que se tornou predominante ao longo do século XIX especialmente dentro da ciência, foi o Materialismo. Materialismo leva ao dualismo cartesiano. Neste modelo duplo diz-se que não existe tal coisa como espírito, Deus e anjos. Simplesmente não existem. E as mentes humanas não são nada além da atividade dos cérebros humanos. Tudo é material e basicamente não-consciente.

Bem, esse pensamento conseguiu se livrar de Deus e da religião e foi essencialmente uma doutrina ateísta que apelou para ateus, claro. E ainda o faz, mas deixou de lado o problema da consciência humana. Como pode a consciência humana existir se toda matéria é não-consciente? E se tudo é feito de matéria não-consciente, a própria existência da consciência humana é um terrível constrangimento para a ciência materialista. É por isso que é chamado de “problema difícil”. É um problema difícil porque os filósofos da mente têm tentado explicá-lo por décadas e falharam. Alguns dizem que a consciência não é nada além de um epifenômeno, um subproduto da atividade nervosa no cérebro, mas não fazem nada a respeito. Outros, dizem que é apenas uma outra maneira de falar sobre atividade cerebral e em breve iremos esquecer todo o absurdo subjetivo do povo da psicologia e só teremos descrições em termos de neurofisiologia. A terceira escola de pensamento diz que a consciência não é senão uma ilusão produzida por cérebros. O problema é que isso não explica nada, porque a ilusão é em si um modo de consciência.

Então, continuamos dando voltas e voltas por décadas no assunto de filosofia da mente e esta é a visão oficial, a visão materialista na maioria das universidades. E porque ninguém conseguiu chegar a uma resposta persuasiva, é por isso que chamamos de “problema difícil”. Como um resultado deste problema difícil, tem havido um movimento muito interessante nos últimos 15 anos ou mais, que tem se acelerado, que é um número crescente de cientistas e filósofos abandonando a posição materialista, ou melhor, ampliando ou modificando-a e adotando em vez disso, a visão de pampsiquismo. “Pam” significa tudo ou em toda parte. “Psique” significa alma ou mente e esta é a doutrina que coloca a mente ou alma ou algum tipo de consciência em toda a natureza. As discussões sobre pampsiquismo são geralmente sobre elétrons e átomos.

E uma das figuras principais nesta discussão é o britânico Galen Strawson, filósofo da mente que escreveu um documento intitulado “O materialismo implica em pampsiquismo?” Ao que ele respondeu que sim. A única maneira que você pode realmente resolver o problema difícil é dizendo que a consciência emerge no cérebro porque já está lá em formas inferiores, mesmo nos elétrons e átomos que constituem as moléculas e as células.

Thomas Nagel, Filósofo americano da mente, escreveu um livro quatro anos atrás que realmente “soltou o gato entre os pombos” no mundo filosófico, porque ele é um importante filósofo da mente e líder ateu, mas escreveu este livro chamado “Mente e cosmos. Porque a concepção materialista neodarwiniana da natureza é certamente falsa”. E ele argumentou que a visão materialista simplesmente não consegue explicar o universo. Não pode explicar o fato de que parece existir propósito no universo, o que o materialismo nega. E não pode explicar a existência da consciência humana. Então ele também se declarou favorável ao pampsiquismo e surpreendentemente Francis Crick, um dos colaboradores mais imediatos de Crick, Christoph Kok, que é um neurocientista e um ateu muito radical, materialista, cético dogmático sobre fenômenos psíquicos, saiu recentemente em favor do Pampsiquismo  no coração da neurociência. 

Isto é agora um debate respeitável dentro da ciência e filosofia dominante. E o pampsiquismo está realmente crescendo com força neste momento, porque o estilo antigo de materialismo radical do tipo defendido por Richard Dawkins e outros, está se tornando menos e menos plausível. Particularmente, com o aumento de estudos de consciência onde há agora bastante investigação científica em grande escala sobre os reinos de consciência que foram ignorados até relativamente pouco tempo, a psicologia do século XX foi dominada pelo behaviorismo que tentou fingir que a subjetividade em seres humanos e animais é um conceito pseudocientífico sem sentido e a ciência deve se concentrar em movimentos de medição e secreções glandulares. E esta foi a visão oficial da psicologia, a ciência da mente.

Então, agora estamos nessa nova situação. Tudo está em debate neste momento. O pampsiquismo é uma filosofia que tem se tornado mais amplamente discutida. E quanto mais amplamente discutimos, percebemos que, na verdade, a ideia de pampsiquismo não é algo novo. Costumava ser chamado animismo a ideia de que existe vida e algum tipo de alma em toda a natureza. No século 17, em reação contra Descartes haviam dois proeminentes filósofos europeus que argumentaram em favor do pampsiquismo ou animismo. Um foi Leibniz que muitas vezes entrou em disputas com Isaac Newton. Leibniz disse que a natureza é composta de várias unidades auto organizadas, às quais ele chamou de mônadas. E cada uma destas unidades tem um corpo e também uma mente e cada uma reflete o universo a partir do seu próprio ponto de vista. Então todo o universo é cheio de centros de consciência, refletindo uns aos outros. Uma interessante filosofia. O outro era Espinosa, filósofo holandês judeu que argumentou que natureza e Deus eram o mesmo. Ele era um panteísta que dizia que deus é natureza. Natureza é Deus. Deus é a consciência da natureza. A natureza é o corpo de Deus.

O pampsiquista mais interessante do século XX foi Alfred North Whitehead que considerou que todo o universo é um organismo. Que a natureza é composta de organismos, não de máquinas e ele queria mudar todo o paradigma da ciência para organismo em vez de máquina. Em certo sentido, ele está caminhando para um tipo de visão animista ou pampsiquista da natureza. O que torna Whitehead particularmente interessante do ponto de vista desta discussão, é que ele apontou para uma nova compreensão sobre a consciência e precisamos de algum tipo de compreensão da consciência se fizermos a pergunta: o Sol é consciente?

O que queremos dizer com consciência? Whitehead foi um dos poucos filósofos que realmente entendeu a teoria quântica, logo que surgiu na década de 1920. Ele era um matemático, trabalhou com Bertrand Russell em um grande trabalho chamado principia mathematica. Ele conhecia muito matemática, produziu uma teoria da relatividade alternativa para Einstein, fazendo previsões um pouco diferentes que poderiam de fato ser mais corretas, mas ele muito rapidamente apreciou a importância da teoria quântica.

A teoria quântica nos diz que matéria, a base do materialismo, não é feita de pedaços de coisas duradouras como pequenas bolas de bilhar. Matéria é composta de vibrações de ondas de luz. Luz é feita de quanta de luz. Um elétron é uma vibração de onda, é uma onda de atividade vibratória em um campo de elétrons em campos de matéria de campo quântico. Um próton é uma vibração e em um campo de prótons porque a matéria é feita de ondas. Whitehead salientou que matéria não é uma “coisa”, mas um processo. Ondas levam tempo para ondular. Não pode existir uma onda em um instante, então as ondas precisam se espalhar no tempo e também no espaço. E é por isso, fundamentalmente, que a teoria quântica tem o princípio da incerteza. Você não pode definir uma onda em um instante. Então Whitehead explicou isso muito claramente e salientou que, se a matéria é feita de ondas e ondas são processos, toda matéria tem um passado e um futuro. É um processo no tempo, polarizado no tempo entre passado e futuro.

Ele então explicou que isso forneceu uma pista para compreender a relação entre mente e corpo. Todos nós crescemos com o clichê de que a mente é de alguma forma a vida interior. Falamos sobre a nossa vida interior, do corpo exterior e que a mente, de alguma forma estaria dentro. É uma metáfora espacial. A vida interior e o mundo exterior e assim por diante. Whitehead entendeu que nunca resolveríamos o problema mente-corpo dessa forma. Entender como uma mente e corpo estão relacionados. Mas ninguém entende como eles estão relacionados, então ele estava certo de que essa metáfora nos levou a lugar nenhum. O que ele argumentou, foi que a relação entre corpo e mente é melhor entendida como uma polaridade no tempo, não no espaço. A mente é o polo futuro e o corpo, embora aspecto material físico, é o extremo/ polo no passado. Vamos dizer, por exemplo, que você está olhando para um elétron. A equação de onda de Schrodinger descreve todas as coisas que o elétron poderia fazer, todas as coisas possíveis, mas assim que ele interage com algo ou é medido por um físico, essas possibilidades colapsam até uma interação definível. Como um grão de prata em uma placa fotográfica. Algo mensurável como na Câmara de Wilson, onde você pode realmente medir algo físico, mas que está no passado. E agora uma nova onda de possibilidades começar a se abrir. E o ponto sobre o extremo (polo) mental o polo futuro é que consiste em possibilidades. Não são fatos físicos ainda. Não são fatos físicos. Eles só se tornam físicos quando um deles é realizado, atualizado. Antes disso, eles existem em um reino que não é o físico normal, em uma espécie de reino virtual que ele acreditava ser o reino do polo mental ou de consciência. Consciência sob esta visão está primariamente relacionada com as possibilidades e com a escolha entre as possibilidades. Nossas mentes estão cheias de possibilidades é isso o que elas são: arenas de possibilidades. E a razão para existirem todas estas possibilidades coexistindo em nossas mentes é para que possamos escolher entre elas.

Todos nós escolhemos vir aqui hoje. Todos nós tínhamos outras possibilidades para esta tarde, poderíamos estar assistindo a Copa do Mundo, por exemplo, mas todos nós escolhemos vir aqui. Além de muitas possibilidades, fizemos essa escolha e agora isso é um fato físico, estamos nesta sala e podemos ser medidos, fotografado, pesados, etc. É um fato físico. Nossas mentes estão se expandindo agora em outras possibilidades. Uma delas sendo a possibilidade de o Sol ser consciente. Então, mentes se relacionam com possibilidades. A consciência tem a ver com possibilidades e possíveis ações e escolhas. E eu acredito que a consciência animal é, na verdade, a consciência de um elétron com essas mesmas qualidades também. Essa foi uma sugestão de Whitehead e eu acho particularmente interessante.

Agora todas as discussões atuais sobre pampsiquismo consideram elétrons e átomos. Que são às vezes chamados de micro pampsiquismo. Onde ainda se mantém essa discussão sobre a qualidade reducionista de ciência convencional que, se puder construir a consciência em elétrons e prótons, então você pode reduzir tudo o mais para a menor partícula possível. O ponto sobre a visão reducionista é que menor é melhor. Então, quanto menor a partícula, melhor a explicação e é por isso que o Grande Colisor de Hádrons recebe tanto dinheiro. Porque está lidando com inúmeras coisas mínimas. Quanto menor a partícula, maior o aparelho você precisará para estudá-la.

Então, se levarmos o pampsiquismo a sério, o que estou dizendo é que existe um tipo de mente ou psique em todos os sistemas auto organizados e sistemas auto organizados existem em todos níveis de complexidade. Um elétron é auto organizado quando é um elétron livre. Quando está dentro de um átomo ele faz parte do campo de organização do átomo inteiro. Quando os átomos fizerem parte de uma molécula, como um átomo de hidrogênio em uma molécula de proteína, estarão sob o campo de organização de toda a molécula. Quando as moléculas de um cristal, todo o cristal tem um campo de organização que possui partes dentro dele, com outras partes dentro e assim por diante. Cada célula é auto organizada e possui outro nível mais alto de totalidade. Um tecido é um órgão auto organizado. Um organismo, uma planta ou um animal é um organismo celular auto organizado que contém órgãos dentro. É uma sociedade de organismos, como um bando de pássaros ou um cardume de peixes. É como um organismo superior ou uma colônia de cupins. Um superorganismo onde o animal indivíduo se torna como células em um organismo maior. Mas este mesmo padrão se perpetua em todo o universo.

A Terra é um sistema auto organizado. Gaia é auto organizada. O objetivo da hipótese de Gaia é que a Terra é um sistema auto organizado. O sistema solar é auto organizável, não há ninguém empurrando-o ou fazendo ajustes. Ele se auto organiza. O Sol está no centro dele, mas como ele é um gigantesco organismo, assim como a Terra, possui uma malha magnética ao redor como uma membrana, então todo o Sistema Solar tem uma espécie de membrana em seu entorno. A heliopausa, assim como a Terra, o vento solar e o vento galáctico, interagem com esse tipo de membrana em torno de todo o sistema solar. Toda a energia do sistema solar é um tipo de organismo elétrico. Não apenas o próprio Sol, mas dentro desta membrana da heliopausa e por sua vez, em seu interior, dentro da galáxia, que é um sistema de auto-organização com vastas correntes elétricas e campos magnéticos que temos ouvido falar atualmente.

Em cada um desses níveis há uma totalidade e isso é mais do que a soma das partes. São sistemas auto organizados. Agora, deixe-me explicar, para evitar algum tipo de mal-entendido ou confusão. Esta ideia de pampsiquismo aplica-se a sistemas auto organizáveis. Não se aplica a sistemas que não são auto organizáveis. Ou seja, cadeiras, mesas, automóveis, computadores e assim por diante. São coisas que não se organizam sozinhas, pois elas são organizadas por nós. E é por isso que temos fábricas. Se não fosse assim, um computador poderia ser cultivado em fazendas de informática, ao invés de construí-los em fábricas de computadores. São materiais compostos, como a diferença entre uma mistura e um composto que todos nós aprendemos em nossas lições de química elementar. Um composto é uma mistura de coisas colocadas juntas. Um computador possui máquinas com funções diferentes contribuindo, mas ele não é auto organizável. E nesse sentido, não é provável que seja consciente.

Mas voltemos novamente para o Sol. O Sol é um sistema auto organizável e se levarmos a visão pampsiquista a sério, então a ideia do sol sendo consciente é algo que precisamos considerar como parte dessa mudança na visão de mundo, da visão de um mundo materialista mecanicista para uma visão organizacional e panpsiquista.

Em 1996 com uma pequena fundação americana, a Live Bridge Foundation, eu ajudei a organizar um pequeno simpósio em Hazelwood sobre o solstício de verão com o tema se o sol é consciente. Convocamos um grupo de cerca de uma dúzia de pessoas qualificadas em mitologia, cosmologia, física, psicologia, e assim por diante e discutimos se o Sol é consciente. Claro que nenhum de nós sabia, mas pensamos que seria interessante discutir a respeito. No primeiro dia discutimos se poderíamos provar sua consciência ou o que significaria para o sol ser consciente. E depois, no segundo dia movemos para outra questão assumindo que o sol é consciente e sobre o que ele pensa. Então, deixe-me falar sobre a questão da possibilidade de o Sol ser consciente. Assim que você se move para além da visão da consciência centrada no cérebro, datada no século 17, que levou a consciência de todo o universo e a amontoou dentro de cabeças humanas, assim que você perceber que isso é realmente uma visão moderna, mesmo que ainda não muito bem sucedida, porque ninguém compreende como o cérebro opera, entenderá que não é essa a razão para o problema difícil. Então torna-se claro que a consciência não deve ser associada a cérebros.

É fato que Sóis são grandes e quentes, mas isso não elimina a consciência. Um critério é que, se o Sol é consciente, ele precisa ser capaz de tomar decisões entre várias possibilidades. O Sol provavelmente não tem muita liberdade de decidir sobre sua órbita. Algumas pessoas estão sugerindo que a órbita do Sol pode estar sob o controle de sua consciência.
Eu volto a isso mais tarde, mas a principal maneira em que a mente do sol pode interagir com sua atividade física é através de sua atividade elétrica. A principal razão pela qual as nossas mentes interagem com o nosso cérebro é através da interface dos campos eletromagnéticos dentro de nossos cérebros. Sabemos que ondas alfa, ondas gama, ondas theta e assim por diante estão associadas com diferentes tipos de consciência. Há uma grande quantidade de evidências para a base eletrofisiológica de nossa atividade mental.

A interação entre nossas mentes e cérebros ocorre através de padrões elétricos. Como um consenso geral sobre isso, no entanto, explicamos a consciência. E você pode afetar a consciência das pessoas por estimulação elétrica ou magnética do cérebro. Então, o Sol possui um potencial de interação elétrica que pode influenciar sua própria mente? Como ouvimos abundantemente hoje, sim. O sol é essencialmente elétrico e há uma abundância de atividade elétrica, sendo grande parte altamente indeterminada, que poderia interagir com a mente do sol. Ele poderia tomar decisões que realmente teriam efeito? Sim. O sol tem, por exemplo, erupções e ejeções de massa coronal e dependendo para onde ele as projeta afeta muito o que acontece no Sistema Solar. Se o Sol direcionar uma ejeção de massa coronal para a Terra, particularmente, causaria quedas massivas dos nossos sistemas de energia, um colapso da estrutura industrial por meses, haveria uma falta de transformadores e não seria possível substituir a imensidão de transformadores, que teriam que ser construídos novos modelos.

O Sol influencia de fato o que acontece aqui na Terra, modulando-se tanto em ciclos de 11 anos, como em formas mais sutis, como Jeremy e o colega Corbin estava nos dizendo mais cedo sobre seus modelos baseados em energia solar e seus efeitos sobre o clima. Nós sabemos que o Sol influencia aspectos aqui na Terra e provavelmente modula as coisas em todo o sistema solar através dos diferentes ciclos. No momento, a força dos ciclos solares, como Pierce disse, está particularmente fraca, mas houve um período no século 17, quando quase não se podia observar os ciclos de 11 anos ou os chamados “mínimo de Maunder”. Assim, o sol não é como um relógio que age previsivelmente. Ele é extremamente variável e ninguém sabe o que vai fazer em seguida. É por isso que a NASA faz previsões do tempo do espaço, porque isso afeta a Terra. E não conseguimos fazer previsões.

Então, sim, há muita margem para a mente do Sol interagir com o Sol. De influenciar sua atividade e, por sua vez, influenciar a atividade de várias outras coisas em todo o sistema solar, incluindo nossa vida aqui na Terra. Algumas pessoas começaram a discutir isso e o mais eminente é Greg Matloff, um astrônomo americano que escreveu um livro recentemente chamado “Star bright, star light” sobre a consciência do Sol, que ele chama de hipótese da estrela volitiva. Ele realmente acha que as estrelas poderiam ajustar sua posição dentro das galáxias disparando ejeções em massa ou explosões solares em determinadas direções. Seria como ajustar um satélite utilizando jatos e a razão pela qual isso é interessante, é porque você vê o modelo padrão, como provavelmente todos nesta sala estão cientes, muito mais do que a maioria de outros grupos de pessoas, o modelo padrão só funciona em sua base gravitacional inventando grandes quantidades de matéria escura inobserváveis e as colocando exatamente onde é necessário para fazer as equações darem certo.

O fato é que você não pode explicar como funcionam as galáxias sem toda essa matéria escura – cinco ou seis vezes mais matéria do que se conhece por meios regulares; é um fator de correção da enorme magnitude usada para explicar estruturas galácticas. Se galáxias são sistemas auto organizados e suas correntes elétricas, com a mente das galáxias influenciando seus sistemas e estrelas volitivas tendo algum controle sobre como se movem, então toda essa matéria escura se tornaria desnecessária.

Por isso, se o Sol é consciente, então argumentos claramente semelhantes se aplicariam a outras estrelas. Todas aquelas estrelas na galáxia podem ser conscientes também, mas então a galáxia inteira pode ter uma mente, uma mente galáctica, que seria como o corpo de controle de toda a galáxia, com suas enormes correntes elétricas nas quais as estrelas dos sistemas solares seriam como as células de um corpo. Então, até mesmo aglomerados galácticos podem possuir mentes. Todo o universo se une através destes fios de plasma que acabamos de ouvir, que há toda uma rede de conexões elétricas entre galáxias. Todo o universo é como um gigantesco cérebro com conexões nervosas entre todos esses gânglios de aglomerados galácticos e tudo poderia estar interagindo com a mente cósmica.

A ideia de uma mente cósmica não é uma ideia nova. No mundo antigo era chamada de “alma do mundo” ou “anima mundi”. Platão falou sobre isso em seus escritos e foi uma das principais características do Neoplatonismo, que o cosmos inteiro é consciente e possui uma alma da qual as almas de tudo dentro – o que chamamos de campos organizados – são derivadas de algum tipo de processo de fractalização dentro dele. A partir do Todo, florescem níveis de sistemas auto organizados dentro de si mesmo.

O Sol possui memória? uma galáxia ou mesmo o cosmos possui memória? Estamos acostumados à ideia de que a memória depende de traços do cérebro e que ela deveria se localizar em finais sinápticos ou em moléculas. Como eu mostro no meu livro Ilusão da Ciência, a ideia de que as memórias são armazenadas no cérebro é um dos dez dogmas da ciência. Há muito pouca evidência para isso e a maioria das pessoas aceitam, porque parece senso comum. Mas é surpreendentemente difícil mostrar isso e as pessoas têm tentado na ciência por mais cem anos e falharam em todas elas. Acho que a razão de terem falhado é porque as memórias não estão armazenadas dentro do cérebro. Acredito que o cérebro se assemelha mais com um receptor de TV do que com um gravador de vídeo e sintoniza influências de seus próprios estados passados que viajam pelo processo que eu chamo de ressonância mórfica. Que seria a influência de como padrões repetitivos dentro de sistemas auto organizados agem através do espaço e do tempo do passado para o presente. Eu não tenho tempo para explicar toda essa hipótese de ressonância mórfica agora. Alguns de vocês estão familiarizados com isso, provavelmente alguns de vocês não estão familiarizados com isso, mas em essência a ideia é que há uma espécie de memória em toda a natureza. Todo universo possui um tipo de memória. As leis da natureza são mais como hábitos que evoluem junto com o universo em evolução. Todos os sistemas auto organizados possuem uma memória coletiva. Cada espécie animal baseia-se em uma memória coletiva de seu tipo e os indivíduos têm suas próprias memórias individuais porque são mais semelhantes a si mesmos no passado do que com qualquer outra coisa. Cada um de nós é mais semelhante a nós mesmos no passado e é por isso que em diferentes graus nos sintonizamos em uma espécie de memória coletiva. A diferença entre memória individual e coletiva é uma diferença de grau não de tipo.

Então eu acho que estes princípios se aplicam a Sóis e que nosso Sol estaria sintonizado em uma memória coletiva de outros sóis e à memória coletiva de outros sistemas solares. Podem existir utros sistemas solares em algum lugar no universo semelhante o nosso. Podem existir outros planetas como o nosso que têm um processo evolutivo semelhante ao nosso. Por ressonância mórfica poderíamos ser influenciados por eles e eles poderiam ser influenciado por nós e assim, o Sol pode possuir memória própria através da auto ressonância. Assim como nós também, de acordo com esta hipótese. Ele também se sintoniza com uma memória coletiva de outras estrelas semelhantes ao sol com sistemas solares. Para o Sol ser consciente não significa que não tenha memória, porque ele é muito quente para ter traços de memória. Não, o sol poderia facilmente ter algum tipo de memória.

Muitas outras perguntas irão surgir assim que começarmos a pensar nisso. Como o sol sabe o que está acontecendo no sistema solar? Qual é, na verdade, a base de seu conhecimento? Ele possui órgãos de percepção? Acredita-se em sociedades tradicionais que o Sol sabe o que está acontecendo na Terra e o Sol é geralmente retratado como tendo um olho. O Olho de Hórus na mitologia egípcia, por exemplo, e a ideia de que o Sol é um olho é um senso comum em muitas culturas. Em malaio, por exemplo, a palavra para Sun é Mata Hari, que significa “o olho do dia” e nós temos o mesmo conceito para a flor Margarida. Daisy (em inglês) parece um sol com a parte central amarela e as pétalas para fora. Daisy é a versão para para “Dias Olho” é isso que Daisy (Days I) quer dizer, é uma espécie de modelo do Sol ou uma imagem do Sol.

Então, como o Sol sabe o que está acontecendo dentro do sistema solar? Bem, um caminho seria através do campo eletromagnético. Os campos eletromagnéticos na Terra, que agora inclui todas as ondas de rádio nesta sala e todas as coisas acontecendo dentro do nosso cérebro, alterações elétricas, tudo isso que está acontecendo na Terra está dentro do Campo Magnético da Terra e isso está dentro do campo magnético do Sol. É possível que o Sol consiga saber diretamente o que está acontecendo através do campo eletromagnético que pode ser sua interface é órgão de sentido. Isso lembra uma das ideias mais interessantes de Isaac Newton, na minha opinião, quando Newton estava tentando pensar sobre a natureza da gravidade. Ele não conseguia resolver a questão de como a matéria podia atrair outra matéria através do espaço vazio e na verdade, ele teve a ideia de que o espaço vazio não era apenas uma espécie de recipiente neutro ou em branco. Era, como ele colocou, o órgão sensorial de Deus. Ele pensou que o espaço absoluto era o órgão dos sentidos de Deus. Deus é onipotente e onisciente, sabe tudo. Como Deus sabe tudo, a maioria das pessoas que acredita em Deus – eu acredito em Deus, eu mesmo acredito em um tipo de onisciência divina, – mas Newton foi uma das poucas pessoas que pensou em como isso poderia funcionar. Ele pensou que uma maneira seria através da gravidade. A gravidade e o espaço absoluto estariam ligados diretamente. O órgãs dos sentidos de Deus seria o espaço absoluto, portanto, ele saberia onde tudo estava e a rapidez com que se move e todo o conteúdo e o universo inteiro a qualquer momento. E através deste espaço, Newton pensou que Deus tivesse dado poder diretamente à gravidade.

Agora pensemos em termos do campo gravitacional depois da Teoria da Relatividade de Einstein. Tudo no Espaço ocorre dentro do campo gravitacional que não existe no espaço-tempo. De acordo com Einstein, o espaço-tempo é o recipiente de tudo no Universo. É um pouco como a alma do mundo, a anima mundi nestas visões de mundo mais antigas, que contém todas as coisas. Em certo sentido sabe de todas as coisas também, porque tudo fica registrado neste campo gravitacional. Através do campo gravitacional as posições de cada objeto no universo e suas interações estão contidas ali. Estão naquele campo. Se houvesse uma mente associada a esse campo, ela saberia de tudo isso. As atividades, as mudanças, a dinâmica, as escolhas e interações a cada momento são mediadas por campos eletromagnéticos. Então, se a mente do Sol soubesse o que está acontecendo no sistema solar, seria através do campo eletromagnético. E se a mente de Deus soubesse o que está acontecendo em todo universo, poderia ser através do campo eletromagnético universal, assim como do campo gravitacional universal.

E a teoria do universo elétrico se encaixa muito bem nesta maneira de pensar, porque fornece uma base, uma infraestrutura para esses tipos de interconexões por todo o universo. O outro aspecto do Sol, apenas um ou dois pontos finais, é que talvez esteja principalmente preocupado com a sua interação com o sistema solar, com seu corpo expandido, mas também pode estar preocupado com o seu grupo de pares, outras estrelas que não conhecemos bem como elas se comunicam dentro da galáxia. Elas podem certamente se comunicar através da luz. E distantemente através da gravidade. Através da maré que flui entre todos os planetas e o Sol são afetados e sensíveis a tudo o que acontece no sistema solar através da gravidade, bem como por interações eletromagnéticas. Mas outras estrelas podem estar interagindo umas com as outras. Elas podem estar em relacionamentos dos quais não sabemos nada. Isso porque nós assumimos que elas são todas inconscientes, apenas coisas, bombas de hidrogênio. Então essas ideias simplesmente nunca foram discutidas.

Agora, como seria investigar isso? Bem, eu não sei. Eu tenho tentado imaginar testes empíricos para a consciência do Sol. Um teste possível seria através de interações com ele. Minhas próprias ideias sobre o sol sendo consciente foram despertas quando eu tinha cerca de 17 anos. Eu li o livro de ficção científica de Fred Hoyles, “a nuvem negra” que alguns de vocês podem ter lido, onde os seres humanos interagem com uma inteligência dentro uma espécie de nuvem de plasma. Eles interagem com ela enviando mensagens e eles recebem mensagens de volta. É assim que eles sabem o que ela pode pensar ou ser consciente.

Muitas pessoas realmente enviam mensagens para o Sol. Quando eu morava na Índia, onde vivi por sete anos, existe uma prática padrão entre os hindus de cantar um mantra para o Sol, o mantra Gayatri. E um exercício de ioga, que eu mesmo faço todas as manhãs, Surya Namaskar, é uma saudação para saudar o sol de manhã. Existem muitas orações dirigidas ao Sol. Ações de graças em orações em culturas xamânicas, onde algumas se dirigem ao Sol. Já existem milhões de pessoas que realmente acreditam e conscientemente interagem com o Sol.

Eu me questiono se eles nunca receberam mensagens realmente. Começaria não reinventando a roda, mas levaria a sério as práticas que as pessoas em diferentes culturas em todo o mundo têm feito tradicionalmente há muito tempo. A maioria dos ocidentais acha que eles são superiores a esses estúpidos supersticiosos. Pessoas que precisam ser educadas fora dessas visões animistas, mas podemos descobrir que nestas áreas temos muito a aprender com eles. É possível, então, que exista uma maneira de interagir com o sol. Pode ser possível enviar mensagens para o sol dizendo: por favor, nos mostre um sinal. Se você receber esta mensagem, poderia emitir um padrão de erupções solares de tal forma que pudéssemos detectá-los facilmente? Isto é um exemplo muito grosseiro, mas talvez seja possível. Então isso talvez não esteja inteiramente no reino da especulação, mas claramente esse tipo de pesquisa iria muito além do que está sendo feito hoje. Também gostaria de adicionar que o que tornaria este teste mais viável, é que isso seria muito mais barato do que sondas solares e satélites. Quando você olha para qualquer coisa holisticamente, isto se torna muito mais barato. A ciência holística talvez não seja mais divertida, mas muito menos cara do que a ciência reducionista.
Ofereço esses pensamentos, mas eu tenho certeza que alguns de você estão se sentindo muito céticos sobre isso e com razão. Mas se vamos ser hereges, se vamos espalhar este modelo de universo elétrico, eu apenas gostaria de ver até onde ele pode ir. E eu acho que isso pode nos levar muito mais longe do que qualquer cosmologista rival do mercado. E essa é uma das razões mais atraentes.

Obrigado”

Rupert Sheldrake – Fonte: https://www.sheldrake.org/

*texto transcrito, traduzido e adaptado exclusivamente para o Portal Shtareer. Ao compartilhar, cite a fonte http://www.rodrigoromo.com.br