BEBÊS GENETICAMENTE MODIFICADOS E HÍBRIDOS JÁ SÃO REALIDADE

Notícias compartilhadas da revista Galileu em julho/19, sobre experimentos genéticos com seres humanos na China:

Bebê geneticamente modificado está prestes a nascer, afirma cientista

Segundo o físico William Hurlbut, que estava se comunicando com o médico chinês que alterou o gene de bebês em 2018, a criança deve nascer a qualquer momento. (fonte)

O cientista chinês He Jiankui, responsável por modificar genes de embriões humanos em 2018, teria criado um terceiro bebê com genes modificados pela técnica conhecida como CRISPR. No ano passado, o pesquisador anunciou o nascimento de duas bebês após elas terem passado por procedimento que modificou os DNAs de seus embriões para torná-las resistentes ao vírus do HIV.

Segundo William Hurlbut, físico da Universidade de Stanford, que estava se comunicando com Jiankui, a terceira criança deve nascer a qualquer momento. Hurlbut diz saber o dia que o bebê foi concebido, mas não quer divulgar a informação para que os pais da criança não sejam identificadas.

“Ele realmente acreditou que estava fazendo algo que traria glória para sua pátria. O que mais o surpreendeu foram as críticas recebidas na própria China”, contou Hurlbut, em entrevista ao site MIT Technology Review. De acordo com documentos analisados pela revista Stat, o cientista Jiankui teria recebido apoio do governo chinês para realizar os experimentos dos dois primentos bebês.

Quando foram anunciados os primeiros nascimentos, a iniciativa de Jiankui foi fortemente condenada por outros especialistas ao redor do mundo e o pesquisador passou a ser investigado pelo governo chinês. Em entrevista à emissora CCTV, o vice-ministro da Ciência e Tecnologia, Xu Nanping, afirmou que a edição humana de genes é ilegal e inaceitável. “O incidente envolvendo os bebês geneticamente modificados violou descaradamente as leis e regulações relevantes do nosso país”, afirmou o político.

A Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, localizada na província de Shenzhen e a qual Jiankui era vinculado, abriu uma investigação para averiguar o projeto conduzido pelo médico e disse em comunicado que não tinha conhecimento da realização desse trabalho. Desde então, o cientista é mantido sob guarda em seu apartamento e não deu mais declarações públicas.

Cientistas temem que mais “bebês CRISPR” possam ser criados, já que a tecnologia é difícil de ser controlada. Em junho deste ano, o biólogo molecular Denis Rebrikov afirmou que pretende editar os genes de bebês humanos com a mesma técnica.


Cientistas espanhóis criam ser híbrido de humano e macaco na China

Embrião de camundongo tem células de rato no coração (foto: Instituto Salk)

A criatura não chegou a nascer pois a gestação foi interrompida pelos próprios cientistas (fonte)

o último dia 26 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se posicionou contra as técnicas de alterações genéticas em humanos, tais como a CRISPR, feita pelo chinês He Jiankui, responsável por modificar genes de embriões humanos em 2018.

Simultaneamente a esse debate, cientistas espanhóis conseguiram criar, na China, um ser híbrido de humano e macaco. No estudo, liderado pelo pesquisador Juan Carlos Izpisúa, os estudiosos modificaram embriões de macaco e injetaram células humanas capazes de gerar qualquer tipo de tecido.

Com isso, foi criada uma quimera científica, nome dado à combinação de pelo menos dois conjuntos de DNA. Na mitologia grega, quimeras são criaturas com cabeça de leão, corpo de cabra e rabo de serpente. No caso do experimento, o resultado foi uma quimera de macaco, mas ela não chegou a nascer, pois os pesquisadores interromperam a gestação.

Izpisúa e sua equipe já tinham criado, em 2017, embriões de quimeras de camundongos com ratos. Na ocasião foi usada a técnica CRISPR para desativar genes de embriões de camundongo importantes para o desenvolvimento de coração, olhos e pâncreas. Depois, foram introduzidas células-tronco de rato, capazes de gerar esses órgãos.

Em entrevista ao jornal El País, Estrella Núñez, bióloga e vice-reitora de pesquisa da Universidade Católica de Murcia (UCAM), considerou o experimento importante para que animais de outras espécies possam virar, no futuro, “fábricas” de órgãos para transplantes.

Por outro lado, o médico Ángel Raya, diretor do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona, alertou para a questão ética que envolve a criação de quimeras. “O que acontece se as células-tronco escapam e formam neurônios humanos no cérebro do animal? Terá consciência?”, disse.