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NOSSO UNIVERSO PODE SER UM “ESPELHO” DE UM UNIVERSO PARALELO DO OUTRO LADO DO BIG-BANG

Matéria traduzida de Physics World (fonte)

Nosso universo possui um parceiro de antimatéria do outro lado do Big Bang, dizem físicos.

Nosso universo poderia ser a imagem espelhada de um universo de antimatéria que se estende  no tempo antes do Big Bang. Físicos no Canadá inventaram um novo modelo cosmológico que postula a existência de um “antiuniverso” que, emparelhado com o nosso, preserva uma regra fundamental da física chamada simetria CPT. Os pesquisadores ainda precisam elaborar muitos detalhes de sua teoria, mas dizem que isso naturalmente explica a existência da matéria escura.

Os modelos cosmológicos nos dizem que o universo – espaço, tempo e massa / energia – explodiu há 14 bilhões de anos e desde então expandiu e resfriou, levando à formação progressiva de partículas subatômicas, átomos, estrelas e planetas.

No entanto, Neil Turok, do Perimeter Institute for Theoretical Physics, em Ontário, avalia que a confiança desses modelos em parâmetros ad-hoc significa que eles cada vez mais se assemelham à descrição de Ptolomeu do sistema solar. Um desses parâmetros, diz ele, é o breve período de rápida expansão conhecido como inflação, que pode explicar a uniformidade em grande escala do universo. “Há esse padrão mental que você utiliza para explicar um novo fenômeno inventando uma nova partícula ou campo”, diz ele. “Acho que isso pode ser equivocado”.

Em vez disso, Turok e seu colega do Perimeter Institute, Latham Boyle, começaram a desenvolver um modelo do universo que pudesse explicar todos os fenômenos observáveis ​​baseados apenas nas partículas e campos conhecidos. Eles se perguntaram se existe uma maneira natural de estender o universo para além do Big Bang – uma singularidade em que a relatividade geral se rompe – e depois sai do outro lado. “Descobrimos que sim”, diz ele.

A resposta foi assumir que o universo como um todo obedece à simetria CPT. Este princípio fundamental requer que qualquer processo físico permaneça o mesmo se o tempo for revertido, espaço invertido e partículas substituídas por antipartículas. Turok diz que este não é o caso do universo que vemos ao nosso redor, onde o tempo corre à medida que o espaço se expande, e há mais matéria do que antimatéria.

Modelo de um universo simétrico CPT
Em um universo simétrico CPT, o tempo iria correr para trás a partir do Big Bang e a antimatéria iria dominar (Cortesia: L Boyle / Perimeter Institute of Theoretical Physics)

Em vez disso, diz Turok, a entidade que respeita a simetria é um par universo-antiuniverso. O antiuniverso se estenderia no tempo a partir do Big Bang, ficando maior à medida que fosse dominado pela antimatéria, além de ter suas propriedades espaciais invertidas em comparação às do nosso universo – uma situação análoga à criação de pares elétron-pósitron no vácuo, diz Turok.

Turok, que também colaborou com Kieran Finn, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, reconhece que o modelo ainda precisa de muito trabalho e é provável que tenha muitos opositores. De fato, ele diz que ele e seus colegas “tiveram uma discussão prolongada” com os árbitros revisando o artigo para a Physical Review Letters – onde foi finalmente publicado – sobre as flutuações de temperatura no fundo das microondas cósmicas. “Eles disseram que tínhamos que explicar as flutuações e dissemos que é um trabalho em andamento. Eventualmente eles cederam ”, diz ele.

Em termos muito amplos, diz Turok, as flutuações são devidas à natureza mecânico-quântica do espaço-tempo próximo da singularidade do Big Bang. Enquanto o futuro distante de nosso universo e o passado distante do antiuniverso forneceriam pontos fixos (clássicos), todas as possíveis permutações quânticas existiriam no meio. Ele e seus colegas contaram as instâncias de cada configuração possível do par de CPT e, a partir disso, o que é mais provável existir. “Acontece que o universo mais provável é aquele que se parece com o nosso”, diz ele.

Turok acrescenta que a incerteza quântica significa que o universo e o antiuniverso não são imagens-espelho um do outro – o que evita problemas espinhosos como o livre-arbítrio.

Mas problemas de lado, Turok diz que o novo modelo fornece um candidato natural para a matéria escura. Este candidato é uma partícula ultra-indescritível e muito massiva chamada neutrino “estéril”, hipotetizado para explicar a massa finita (muito pequena) de neutrinos “canhotos” mais comuns. De acordo com Turok, a simetria CPT pode ser usada para calcular a abundância de neutrinos destros em nosso universo a partir dos primeiros princípios. Ao fatorar a densidade observada da matéria escura, ele diz que a quantidade produz uma massa para o neutrino destro de cerca de 5×108 GeV – cerca de 500 milhões de vezes a massa do próton.

Turok descreve essa massa como “tentadoramente” semelhante à derivada de um par de sinais de rádio anômalos detectados pela Antena Impulsiva Transiente Antártica (ANITA). O experimento transmitido por balão, que voa alto sobre a Antártida, geralmente observa raios cósmicos viajando pela atmosfera. No entanto, em duas ocasiões, a ANITA parece ter detectado partículas viajando através da Terra com massas entre 2 e 10×108 GeV. Dado que os neutrinos comuns quase certamente interagiriam antes de chegar tão longe, Thomas Weiler, da Universidade de Vanderbilt, e seus colegas propuseram recentemente que os culpados estavam, ao contrário, destruindo neutrinos destros.

Turok, no entanto, aponta um inconveniente – o modelo simétrico CPT exige que esses neutrinos sejam completamente estáveis. Mas ele continua cautelosamente otimista. “É possível fazer essas partículas decaírem ao longo do tempo do universo, mas isso requer um pequeno ajuste do nosso modelo”, diz ele. “Então, ainda estamos intrigados, mas eu certamente não diria que estamos convencidos neste estágio.”

 

Cientistas defendem ideia que estrelas podem ter consciência

O que é a consciência e de onde ela vem são questões que mantêm grandes mentes ocupadas no mundo todo desde o desenvolvimento da habilidade de especular. No mundo atual, este é um tema estudado cada vez mais por físicos, cientistas cognitivos e neurocientistas.

Há algumas teorias prevalecentes sobre a consciência. A primeira envolve o materialismo. Esta é a noção que a consciência emana da matéria, ou em nosso caso, da atividade de neurônios em nosso cérebro. Tire o cérebro deste cenário e consciência não existe. Tradicionalmente, cientistas são materialistas. Mas isso faz com que eles se deparem com os limites do materialismo.

Uma segunda teoria é o dualismo corpo-mente. Isso costuma ser mais reconhecido no campo espiritual. Aqui, a consciência é separada da matéria. Essa é uma parte de outro aspecto do indivíduo, que em algumas religiões costuma ser chamado de alma.

Há uma terceira opção que está ganhando campo em alguns círculos científicos, o pampsiquismo. Neste ponto de vista, o universo todo é habitado pela consciência. Apesar de mais cientistas estarem aceitando esta ideia, ela ainda gera grandes debates, principalmente pela similaridade com conceitos do budismo de que a consciência é considerada a única coisa que realmente existe.

Cientistas apoiadores do pampsiquismo

Na mecânica quântica, partículas não têm formato ou localização precisa até que sejam observadas ou medidas. Seria este um tipo de proto-consciência? De acordo com o cientista e filósofo estadunidense John Archibald Wheeler (1911-2008), a resposta para esta pergunta é “sim”. Para ele, cada pedacinho de matéria contém um pouco de consciência, que é absorvida deste campo da proto-consciência. Ele chama sua teoria de “princípio antrópico participativo”, em que um observador humano é necessário para o processo. “Somos participantes que trazem não apenas o “aqui e agora”, mas também o “distante e passado”.

Outro apoiador do pampsiquismo, o neurologista Christof Koch do Instituto Allen de Ciência Cerebral (EUA), diz que a única teoria que temos sobre a consciência é que ela é o nível de ciência sobre si mesmo e sobre o mundo. Organismos biológicos são conscientes porque quando eles se aproximam de uma nova situação, eles podem alterar seu comportamento para navegá-la.

Já o físico britânico Sir Roger Penrose propôs nos anos 1980 que a consciência está presente no nível quântico e reside nas sinapses do cérebro. Ele não chega a se autodenominar pamfísico. Segundo ele, “as leis da física produzem sistemas complexos, e esses sistemas complexos acabam gerando a consciência, que por sua vez produz matemática, que pode codificar de forma sucinta as leis da física”.

O físico veterano Gregory Matloff da College of Technology de Nova York (EUA) diz que evidências preliminares mostram que, no mínimo, o pampsiquismo não é impossível. “Tudo é especulativo, mas é algo que podemos checar e considerar válido ou falso”, afirmou ele ao NBC News.

Estrelas têm consciência?

Matloff se uniu a um físico teórico alemão chamado Bernard Haisch, que em 2006 propôs que a consciência é produzida e transmitida através do vácuo quântico. Qualquer sistema com complexidade suficiente e que cria um certo nível de energia poderia gerar a consciência. Juntos, os dois planejaram um estudo de observação para testar esta hipótese.

Eles examinaram a descontinuidade de Parenago. Estrelas menos quentes, como o nosso Sol, giram ao redor do centro da Via Láctea com maior velocidade que estrelas mais quentes. Alguns cientistas atribuem este fato à interação com nuvens de gás. Matloff tem opinião diferente. Ele a publicou na revista Journal of Consciousness Exploration and Research. Ele diz que ao contrário de suas irmãs mais quentes, as estrelas frias podem se mover mais rapidamente por conta de um “jato uni-direcional” semelhante ao jato de energia emitido quando elas são criadas. Matloff sugere que esta seja uma forma da estrela se manipular de forma consciente, para ganhar velocidade.

Dados de observação mostram um padrão confiável sempre que a descontinuidade de Parenago é observada. Se fosse questão de interação com nuvens de gás, conforme dita a teoria atual, cada nuvem deveria ter uma composição química diferente que faria a estrela operar de forma diferente. Então porque todas elas agem exatamente da mesma forma?

Matloff também propõe que a teoria da proto-consciência poderia substituir a matéria negra. A matéria negra compõe cerca de 95% do universo, mas cientistas não conseguem encontra-la.

Medindo a consciência

O neurocientistas Giulio Tononi, da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), propõe uma visão levemente diferente do pampsiquismo, chamada Teoria da Informação Integrada. Aqui, a consciência seria uma manifestação com uma localização física real, em algum lugar no universo que ainda não foi encontrado. É possível que este corpo irradie consciência da mesma forma que o Sol irradia calor e luz.

Tononi criou uma métrica para medir a quantidade de consciência de um corpo. A unidade de medição é chamada “phi”. Ela se traduz a quanto controle um ser tem sobre si mesmo e sobre os objetos ao seu redor. A teoria separa a inteligência da consciência, que algumas pessoas consideram ser a mesma coisa.

Veja a inteligência artificial, por exemplo. Ela já pode vencer humanos em muitas tarefas, mas não tem vontade própria. Um supercomputador que pode alterar o mundo além das configurações que lhe foram dadas pelos comandos do programador teria consciência. Muitos futuristas como Ray Kurzweil e Elon Musk acreditam que este dia está chegando, talvez na próxima década, e que a humanidade deve se preparar para isso.

Fonte em Inglês [Big Think]

⇒ para compreender sobre a estrutura consciencial do Universo, leia – O UNIVERSO, A ORIGEM

A NATUREZA ENERGÉTICA DO VÁCUO REVELADA POR UMA ESTRELA DE NÊUTRON

Amigos e alunos,

Compartilhamos com vocês um trecho do novo livro de Rodrigo Romo que está ainda em desenvolvimento, com o nome provisório de “Conf. 5”, que trata dos aspectos imateriais da Criação e do fluxo da vida entre diferentes estruturas energéticas desde a Supra Mônada até a manifestação da vida em corpos biológicos físicos em nossa realidade terrestre. E um artigo científico relatando a busca da Ciência sobre a composição do Espaço, que por muitos anos acreditou-se ser um grande vazio. Mas que através da medição utilizando modernos telescópios, observou-se que o Espaço na verdade, está cheio de energia, confirmando a constante interação entre diferentes forças e fluxos energéticos que fazem parte desta grande estrutura criacional.

“O fluxo de emanações geradas pelas forças gravitacionais e suas respectivas frequências são o pulso da vida que permite que uma Supra Mônada sustente a expansão de sua rede cristalina, que na verdade não é apenas uma rede cristalina como a estrutura de um cristal, como podem estar imaginando, mas o fluxo da geometria sagrada dos próprios universos que estão se estabilizando. Com isso, as coordenadas dos futuros projetos e genomas vão seguir essa mesma sequência matemática do fluxo existencial, que na realidade da matéria Bariônica, representa as coordenadas da geometria sagrada da estrutura celular, dos projetos biológicos e da própria estrutura da Matéria Bariônica, onde o fluxo de energia estabelece a geometria das rochas como base estrutural das forças gravitacionais. Essas cargas são a base estrutural da vida que está sob a orientação dos membros Voronandeck, criadores da Ordem Lanonadeck, para estabelecer os parâmetros do que se tornaria a geometria da vida biológica e para inserir as matrizes das Almas e Espíritos nesse novo fluxo de possibilidades, seguindo as codificações das Mônadas e de suas estruturas intermediárias, que são denominadas pelos humanos como EU SOU ou EU SUPERIOR, conforme a escola mística.

A geometria sagrada e a rede cristalina da rede atômica do universo Bariônico é na verdade uma consequência matemática do fluxo de energias dos outros níveis superiores onde a densidade é menor. Desta maneira, as partículas estão mais afastadas gerando um fluxo de possibilidades diferentes da coesão da realidade de vocês. Com isso, a energia emanada pelo conjunto Mônada-Supra Mônada, acaba sendo o que se define como Espírito, que por sua vez, gera a consciência deste conjunto superior e a percepção da vida em outros patamares muito além do que se imagina na estrutura biológica, como é a realidade onde vocês encarnam em projetos biológicos que são programados pelos Lanonadeck conforme as configurações que serão estabelecidas pelo conjunto de Criadores e suas matrizes. E os Anciões Lanonadeck no decorrer dos programas entre o fluxo da Energia Escura, Energia Morontial e a rede cristalina do EU SOU dentro da Matéria Escura e seu refluxo, que é a Matéria Bariônica.

Através da física atomística, a estabilização e densificação das subpartículas como os quarks e o léptons formaram a realidade material dos Baríons. No entanto, essas duas partículas elementares são formadas por outras estruturas de cargas elétricas internas que existem na Matéria Escura e também na Energia Escura, como a base da relação entre a malha cristalina do fluxo existencial do tempo-espaço e a grade geométrica que formatou o universo material, mas com as diferentes densidades que vocês entendem como dimensões, que são muito mais do que imaginam, pois a rede cristalina de possibilidades da Matéria Bariônica vai muito além do fluxo descoberto pelos seus cientistas no momento. A própria imaterialidade era uma impossibilidade até pouco tempo para seus pesquisadores, pois era desprovida de partículas que pudessesm se sustentar, mas com o advento dos poderosos aceleradores de partículas, foi possível ver modelos que até então estavam apenas em conjecturas teóricas e até mesmo descartadas como viáveis. O que o CERN deixou mais claro com seu uso no final de 2015, quando foi ativado com a carga de 13 TeV  (Tera Eletron Volt), abrindo portais para outras dimensões não físicas e demonstrando a complexa rede do Multiverso além do fluxo da materialidade.

Com isso a química e a física acabaram entrando no universo atômico e decodificando as bases da formação da estrutura da realidade física de vocês, que é, na verdade, um espelho de uma entre tantas malhas da Criação que ao mesmo tempo é o refluxo de outras dimensões existentes no universo da Matéria Escura e sua própria e ampla rede cristalina, ao ponto que ambas se misturam e interagem, sem no entanto afetarem suas trajetórias orbitais.”


Texto original em inglês traduzido do site RESONANCE SCIENCE FOUNDATION (link)

Estrela de nêutrons revela a natureza energética do vácuo “vazio”

A palavra “espaço” talvez não seja seu nome ideal. Ou seja, em vez de estar desocupado e ‘espaçoso’, ele está, de fato, extremamente cheio – cheio de energia!

Embora para alguns isso possa soar como uma ideia nova, ela existe em muitas formas desde tempos imemoriais, conhecido como o éter. Em tempos mais recentes, esse éter foi chamado de vácuo quântico, campo de ponto zero ou como Nassim Haramein gosta de chamá-lo, o campo de Planck. Contudo, embora as suposições dos antigos e a hipótese dos cientistas modernos tenham feito tais afirmações, a realidade nunca foi diretamente observada. Agora, pela primeira vez, uma equipe de astrônomos europeus mediu o que eles acreditam ser os sinais desse vácuo quântico energético. Utilizando observações do Very Large Telescope no Chile, a equipe foi capaz de medir a polarização da luz de uma estrela de nêutrons isolada (INS), cujo grau é altamente sugestivo de uma estrutura de vácuo polarizada gerando um efeito birrefringente na luz.

O que é birrefringência a vácuo?

Ondas eletromagnéticas não estão limitadas a polarizações específicas e geralmente oscilam em todas as possíveis orientações geométricas. As oscilações podem ser polarizadas, ou seja, confinadas a uma única direção – polarização linear – e / ou rotação – polarização circular.

Quando a luz passa através de um limite entre meios diferentes, ela será refratada de acordo com a Lei de Snell (equação à direita), onde seu índice de refração, n, depende do ângulo de propagação.

Em alguns meios óticamente anisotrópicos (1) – como estruturas cristalinas – o índice de refração também é dependente da polarização, bem como do ângulo de propagação. Como a refração é uma função da velocidade, a luz se dissocia em dois feixes de velocidade diferentes, com o raio lento  se defasando em relação ao raio mais rápido. Os meios que exibem esse fenômeno de “dupla refração” são considerados birrefringentes.

O que isso tem a ver com o vácuo?

Nos anos 1930, após o nascimento da teoria quântica e a aceitação geral da dualidade onda-partícula – isto é, a transformação da matéria em radiação e vice-versa – conclusões importantes foram feitas a partir da teoria quântica que descreve eletrodinâmica – eletrodinâmica quântica (QED). Essas inferências se baseavam no fato de que matemáticas não-lineares além das equações de Maxwell eram necessárias para descrever a interação de matéria e radiação no nível quântico, que Dirac atribuía a uma consequência indireta da possibilidade virtual de produção de pares – o potencial de mar de Dirac.

Seguindo o trabalho de Dirac, Heisenberg (2) mostrou que essa matemática não linear também era necessária para um espaço aparentemente “vazio”, onde se as energias específicas necessárias para criar a matéria não estivessem presentes, esse mar de potencial subjacente exibiria uma espécie de polarização de vácuo. Ou seja, os pares de pósitrons do elétron criaram um dipolo ‘virtual’.

Em um artigo examinando as estruturas coletivas coerentes do plasma e suas interações, Haramein & Rauscher concluíram de forma semelhante que “estados de plasma coerentes não poderiam existir como ondas localizadas devido a efeitos não-lineares a menos que essas não linearidades e propriedades de polarização existissem dentro da própria estrutura do vácuo”.

O termo “polarização do vácuo” pode soar como uma contradição em termos, já que a polarização é uma propriedade normalmente associada à matéria. Diferentes tipos de meios e/ou anisotropias dentro do meio podem afetar o grau de polarizabilidade, mas uma coisa certa é que, para a polarização ocorrer, tem que haver um meio para se polarizar.

Provas experimentais de polarização a vácuo já foram encontradas, primeiro com as medidas do deslocamento de Lamb e depois com o efeito Casimir (mais sobre isso pode ser encontrado em inglês na Resonance Academy). É, portanto, razoável concluir que a ideia original do éter, apoiada por Einstein, e o mar virtual de potencial, como sugerido por Dirac, existem.

Este mar de energia potencial, ou vácuo quântico, comporta-se não linearmente. Assim, devido a essa natureza anisotrópica, quando estiver polarizada, exibirá efeitos de birrefringência conhecidos como birrefringência a vácuo. Agora, pela primeira vez, uma equipe de astrônomos observou esses efeitos, não apenas confirmando os efeitos da birrefringência a vácuo, mas também apoiando ainda mais a natureza não tão “vazia” do espaço.

Como eles fizeram isso?

Para começar, eles precisavam encontrar uma fonte magnética forte – forte o suficiente para polarizar significativamente o vácuo e gerar efeitos birrefringentes. Então, o que é melhor do que uma bola giratória de carga, comumente conhecida como estrela? Embora não sejam completamente compreendidas, as estrelas mais pequenas e mais densas – as estrelas de neutrons – são também as mais rápidas, com velocidades até 70.000 km/s, cerca de 350 vezes mais rápidas que a mais massiva das estrelas e 35.000 vezes mais rápidas que o nosso Sol. Gerando assim, campos magnéticos bilhões de vezes mais fortes (~ 10 13Gauss).

Na presença de um campo magnético forte – como o das estrelas de nêutrons – a opacidade da matéria ionizada para a transferência de fótons se torna dependente da polarização – isto é, o grau em que a luz consegue viajar através do meio é afetado pela polarização. Como consequência, a radiação térmica que emana de cada ponto da superfície da estrela de nêutrons será altamente polarizada, com a direção da polarização correlacionada com a direção do campo magnético.

A emissão térmica recebida pelos detectores em um observatório é a emissão líquida (net) que emana de toda a superfície da estrela de nêutrons. No entanto, como o campo magnético da estrela de nêutrons terá diferentes orientações ao longo da superfície – embora altamente polarizado – presume-se que as polarizações se cancelarão, reduzindo significativamente a polarização líquida observada.

No entanto, Heyl e seus colegas sugerem o contrário. Em uma série de artigos ( 1997 , 2000 , 2002 , 2003 ) eles mostram como a não-linearidade do vácuo é capaz de dissociar os modos de polarização, de modo que suas trajetórias evoluem separadamente à medida que viajam para fora através da magnetosfera enfraquecendo rapidamente. O raio no qual os modos se conectam depende da frequência, onde quanto maior a frequência, mais distante da superfície da estrela de nêutrons ocorrerá o acoplamento.

Quanto mais um fóton viaja da superfície de uma estrela de nêutrons, mais alinhadas as linhas do campo magnético se tornam de tal forma que a direção de polarização da emissão originada em diferentes regiões também tenderá a se alinhar. Assim, para os modos de frequência mais alta que viajam mais longe antes do reagrupamento – como as azuis, UV e frequências mais altas – a polarização líquida observada da radiação térmica seria dramaticamente aumentada.

Heyl e seus colegas cientistas subsequentemente previram que essas grandes polarizações poderiam ser observadas e, assim, forneceriam a primeira evidência direta de birrefringência a vácuo no regime de campo forte.

Mais de uma década depois, uma equipe de astrônomos liderada por Mignani e composta por cientistas do Laboratório de Ciências Espaciais UCL Mullard, Universidade de Zielona Gora, Universidade de Pádua e Osservatorio Astronomico di Roma, começou a fazer exatamente isso, começando escolhendo a estrela certa. Em estrelas isoladas de nêutrons que não são afetadas pela magnetosfera, a radiação térmica altamente polarizada pode ser detectada em comprimentos de onda óticos. Com isso em mente, a equipe decidiu pelo RX J1856.5-3754, o protótipo do famoso grupo de sete estrelas de nêutrons isoladas, conhecidas como Magnificent Seven (M7).

Apesar de ser uma das estrelas de nêutrons mais próximas (a meros 400 anos-luz da Terra) e a mais brilhante de seu tipo, sua fragilidade exigia um instrumento específico disponível no VLT – o Redutor Focal e o Espectrógrafo de baixa dispersão (FORS2) – equipado com polarização ótica para medir a polarização linear. O grau de polarização é essencialmente determinado pela medição da diferença de intensidade em dois estados de polarização predefinidos de um modulador de luz, onde se a luz não for polarizada, a intensidade será constante, independentemente do estado do modulador.

Após uma análise cuidadosa, responsável por todos os fatores externos conhecidos, a equipe descobriu que o grau de polarização linear era de 16%. Ou seja, nem toda a luz recebida está vibrando em uma direção, apenas 16%. Embora baixo, esse valor é muito maior do que o esperado e só pode ser contabilizado se os efeitos da birrefringência a vácuo forem incluídos na análise. Altos graus de polarização, até 100%, são esperados no comprimento de onda dos raios-X, que é onde a equipe estará de olho na próxima experiência.

De qualquer modo, esses são momentos excitantes, pois parece que estamos finalmente a caminho de observar e compreender a estrutura anisotrópica e cristalina do éter onipresente!

Por: Amira Val Baker (fonte em inglês)

(1) Anisotrópico significa que certas propriedades físicas (dureza, resistência mecânica, refração da luz, por exemplo) dependem da direção em que são medidas.

(2) De acordo com a teoria do pósitron de Dirac, um campo eletromagnético tende a criar pares de partículas que levam a uma mudança das equações de Maxwell no vácuo.

O QUE É UMA ESTRELA DE NÊUTRONS?

(ligue as legendas automáticas na configuração do vídeo)

Não poderemos viver mais mil anos na Terra, diz Hawking

Da EFE

29/06/2016
Tenerife – O físico Stephen Hawking afirmou nesta quarta-feira que a exploração espacial deve continuar, já que o futuro da humanidade depende disso, pois os homens não conseguirão sobreviver mais mil anos sem ir “além de nosso frágil planeta”.

Hawking participou da terceira jornada do Festival Starmus que reúne cientistas e músicos em Tenerife e La Palma, nas Ilhas Canárias, na Espanha, entre eles 11 prêmios Nobel, em uma edição que se desenvolve sob o lema: “Além do horizonte, um tributo a Stephen Hawking”.

O cientista britânico ressaltou que há muitos experimentos ambiciosos programados para o futuro, como mapear a posição de bilhões de galáxias, além de utilizar os supercomputadores para compreender melhor “nossa posição” no Universo.

Talvez, algum dia, seja possível utilizar as ondas gravitacionais para olhar para trás, em direção à origem do próprio Big Bang, afirmou o premiado físico, que se mostrou convencido de que a humanidade deve “continuar explorando o espaço para seu futuro”.

Hawking fez um balanço emotivo de sua vida em uma conversa intitulada “Minha breve história” – em referência a seu famosíssimo livro “Uma breve história do tempo” – e assegurou que viveu um tempo glorioso realizando pesquisas sobre física teórica.

“Nossa imagem do Universo mudou bastante nos últimos 50 anos e fico feliz de ter feito uma pequena contribuição”, disse aquele que é considerado um dos cientistas mais influentes do mundo.

Para Hawking, nós humanos não somos mais do que conjuntos de partículas que, no entanto, estamos próximos de compreender as leis que nos governam, “e isso é uma grande vitória”.

A cosmologia se transformou em uma ciência de precisão em 2003 com os resultados do satélite Wmap, que produziu “um mapa maravilhoso das temperaturas do fundo cósmico a um centésimo de sua idade atual”.

Nele, é possível perceber como a atração gravitacional desacelera a expansão de uma região do Universo, até que eventualmente colapsa sobre si mesma para formar galáxias e estrelas.

Esse mapa “é a pegada da estrutura de tudo o que há no Universo”, opinou Hawking, que afirmou que agora o satélite ESA Planck produziu outra imagem com uma resolução muito mais alta e que, com ela, talvez seja possível detectar a marca das ondas gravitacionais, algo como “ter a gravidade quântica escrita no céu”.

Stephen Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942, justo 300 anos depois do nascimento de Galileu, mas calcula que nesse mesmo dia devem ter nascido outras 200 mil pessoas no planeta, e lembrou que, apesar de sua péssima caligrafia, os companheiros de escola o chamavam de Einstein.

Hawking já falava no colégio sobre a origem do Universo e se nisso havia intervenção divina. Quando entrou na Universidade de Cambridge, a cosmologia em geral não era algo ainda muito desenvolvido e o jovem Hawking se dedicou a ler a teoria geral da relatividade “sem chegar a compreendê-la a fundo”.

Foi naquela época que ele começou a perceber que algo não estava bem com seu corpo, já que não tinha facilidade para remar, nem para patinar sobre o gelo e ficou deprimido ao ver como seu estado de saúde piorava rapidamente e não sabia se viveria o suficiente para finalizar sua tese.

Este foi o início da esclerose lateral amiotrófica da qual padece, uma doença que o ajudou a ver que “cada novo dia era uma recompensa”, conforme ele mesmo destacou, e que o encorajou a ter curiosidade e, por mais difícil que a vida possa parecer, a estar consciente de que “sempre há alguma coisa que alguém pode fazer bem feito: o que importa é não se render jamais”.

 

Fontes:

(português)

http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/nao-poderemos-viver-mais-mil-anos-na-terra-diz-hawking

(espanhol)

http://www.efe.com/efe/espana/entrevistas/stephen-hawking-no-podremos-sobrevivir-otros-mil-anos-sin-escapar-de-la-tierra/10012-2971759